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sexta-feira, 8 de maio de 2020

Competências socioemocionais como conteúdo  

Em uma recente transmissão realizada pelo LIV, Lourdes Atié, educadora e socióloga, reforçou que, mais do que pensar em cumprir os conteúdos dispostos no currículo, é hora de dar atenção à saúde mental. Márcia faz uma conexão da fala de Lourdes com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), reforçando que trabalhar habilidades e competências socioemocionais também se configura como conteúdo e, portanto, dar espaço para os alunos verbalizarem o que estão sentindo é um primeiro passo.
“Costumamos ouvir que a crise é a grande professora. Então, que possamos aproveitar os ensinamentos em todos o sentidos. Devemos pensar na possibilidade que esse momento traz para que as habilidades socioemocionais sejam aprofundadas, já que estão sendo vividas tão intensamente no ambiente familiar”, reforça a psicóloga. “Das crianças aos adolescentes, há uma gama de possibilidades para trabalhar (as emoções) como conteúdo e reverter como ensinamento e aprendizado. É possível desenvolver ações comunitárias que saem do círculo pessoal e envolvem um pensamento mais global, para desenvolver empatia e solidariedade, por exemplo.”
A valorização do papel do professor  
A ‘virada da educação’ a qual Marcia se referia acima, em grande parte, tem a ver com a valorização do papel do professor pelas famílias. “Elas estão percebendo que a educação e a relação de ensino-aprendizagem com crianças e jovens não é simples”, disse.
Tonia Casarin afirma que, mesmo em condições normais, com as crianças frequentando a escola, o engajamento dos pais, mães e responsáveis é um ponto desafiador. Para esse momento, a empreendedora reforça a importância dos dois lados reconhecerem o papel do outro. Os professores, por exemplo, devem compreender que, apesar de muitas mães e pais estarem trabalhando de casa, ainda precisam seguir uma agenda e não estão totalmente à disposição de seus filhos para ajudar no processo educacional.
“O papel dos pais é muito importante. Mas, ao mesmo tempo, são pessoas que não têm nenhum tipo de formação pedagógica, o que gera uma frustração grande de não saber como ajudar os filhos e até brigas. As famílias estão vendo que esse processo de aprendizado não é tarefa fácil”, reforça Tonia.
Por isso, a partir da empatia, a especialista indica que professores podem sugerir recursos e dicas sobre como as famílias podem ajudar as crianças; entretanto, sem ter um nível de exigência alto nesse momento. “Precisamos considerar que existem diferentes níveis de engajamento dos pais. É possível tentar manter esse contato, eventualmente com encontros virtuais, e passar essas atividades. Mas agora, o engajamento é mais importante que entregar uma lição perfeita.”

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